Os cabos de aço devem ser descartados conforme a norma ISO 4309 quando apresentam desgaste excessivo, como ruptura de arames, deformações, corrosão, redução do diâmetro, danos na alma ou sinais de fadiga. A aplicação rigorosa desses critérios é crucial para garantir a segurança e a integridade das operações.
a) Ancoragem no tambor
A seção do cabo de aço onde ocorre a ancoragem no tambor exige inspeção especial, pois é um ponto de fixação crucial. Problemas de desgaste ou deformação nesta área podem comprometer a estabilidade e a segurança do cabo. A inspeção deve verificar se o cabo está firmemente ancorado e se não há sinais de desgaste, como afrouxamento ou deformação no ponto de fixação.
b) Qualquer seção nas proximidades de uma terminação do cabo
As extremidades do cabo, particularmente onde ele entra na terminação, estão sujeitas a vibrações e outros efeitos dinâmicos que podem causar rompimentos de arames. A inspeção deve incluir verificação de frouxidão nos arames, sinais de desgaste e corrosão. Terminações removíveis, como soquetes cunha, devem ser inspecionadas para garantir a montagem correta e ausência de arames rompidos.
c) Qualquer seção que passe por uma ou mais roldanas
O desgaste nas seções que passam por roldanas é comum devido ao contato constante com os canais das roldanas. Este ponto de passagem precisa ser inspecionado para identificar desgastes, achatamentos e rompimentos de arames. A degradação dessas áreas afeta diretamente a segurança do cabo e sua funcionalidade.
d) Qualquer seção que passe por um indicador de carga segura que incorpore roldanas
As áreas do cabo que passam por dispositivos de monitoramento de carga são submetidas a pressão adicional e a atrito. A inspeção deve verificar se há sinais de desgaste ou deformações causadas pela interação com esses dispositivos, garantindo que o cabo mantenha sua integridade.
e) Qualquer seção que passe pelo moitão
A passagem pelo moitão representa um ponto de alto desgaste, onde o cabo é submetido a forças de tração e flexão. A inspeção deve garantir que não há achatamentos, arames saltados ou danos estruturais, que podem surgir devido ao uso intensivo nessa área.
f) No caso de operações repetitivas, qualquer parte do cabo que esteja sobre uma roldana em condição carregada
Em operações repetitivas, partes do cabo que permanecem sobre a roldana durante a movimentação de carga sofrem desgaste contínuo. A inspeção frequente dessas áreas é crucial para evitar rompimentos inesperados, dada a pressão constante aplicada ao cabo em cada ciclo.
g) Aquela parte do cabo que fica sobre uma roldana compensadora
Roldanas compensadoras mantêm o cabo em posição, mas podem gerar desgastes específicos. Esse trecho do cabo deve ser verificado quanto à presença de desgastes assimétricos ou deformações que possam comprometer sua performance.
h) Qualquer seção que passe por dispositivo de enrolamento
Ao passar por dispositivos de enrolamento, o cabo é exposto a torções e tensões adicionais. A inspeção dessas seções deve focar em identificar possíveis dobras ou torções que possam ter surgido e avaliar se o cabo está adequadamente acomodado nos canais de enrolamento.
i) Seções que enrolam no tambor, especialmente nas zonas de cruzamento em enrolamento multicamada
As zonas de cruzamento, onde uma camada de cabo se sobrepõe a outra no tambor, são especialmente vulneráveis a deformações e arames rompidos. A inspeção deve observar se há algum sinal de desgaste excessivo ou dano nestes pontos para evitar falhas.
j) Qualquer seção submetida à abrasão por condições externas (exemplo: alçapão de convés)
Exposição a elementos externos como abrasão ou corrosão, especialmente em ambientes marítimos, pode deteriorar rapidamente o cabo. Inspeções visuais frequentes nessas áreas são recomendadas para detectar sinais de desgaste ou corrosão antes que se tornem severos.
k) Qualquer parte do cabo exposta ao calor
O calor excessivo pode prejudicar a resistência dos arames de aço e causar perda de lubrificação, essencial para evitar corrosão e desgastes. Partes do cabo que foram expostas ao calor devem ser inspecionadas quanto a sinais de descoloração e perda de flexibilidade, e, se necessário, descartadas para garantir a segurança.
Essas descrições fornecem uma visão detalhada de cada seção crítica, fundamentada nas diretrizes da NBR ISO 4309 para manter a integridade e a segurança dos cabos de aço em equipamentos de movimentação de carga.
Arames rompidos que ocorrem aleatoriamente em seções do cabo que passam por uma ou mais roldanas de aço, ou pelo tambor quando em camada única, ou em áreas de cruzamento no enrolamento em múltiplas camadas no tambor representam um tipo de deterioração comum e crítico em cabos de aço. Esses rompimentos são muitas vezes causados pelo desgaste natural devido ao atrito e à flexão repetitiva que o cabo sofre ao passar por roldanas e tambores. É essencial realizar inspeções regulares dessas áreas para identificar a presença de arames rompidos que possam comprometer a segurança e a integridade do cabo. A norma NBR ISO 4309 recomenda que, para avaliar esses rompimentos aleatórios, consulte-se a Tabela 3 no caso de cabos de camada única ou fechados paralelamente, e a Tabela 4 para cabos que apresentam resistência à rotação. Esses valores estabelecem critérios para decidir se o cabo deve ser mantido em operação ou se é necessário seu descarte.
Arames rompidos agrupados em trechos que não são enrolados no tambor devem ser analisados com atenção, principalmente quando o agrupamento de rompimentos ocorre em uma ou duas pernas adjacentes. Esse tipo de deterioração pode indicar uma fraqueza localizada no cabo, que tende a se agravar com o uso contínuo. Nesses casos, mesmo que o número de arames rompidos seja inferior aos valores especificados para o comprimento de 6d nas Tabelas 3 e 4, pode ser necessário descartar o cabo para evitar o risco de falhas graves. A concentração de rompimentos em pontos específicos aumenta o risco de que o cabo se rompa sob carga, comprometendo a segurança das operações.
Arames rompidos no vale são outra situação de atenção, onde dois ou mais arames rompem em um trecho específico do cabo, conhecido como “vale”. O vale é o espaço entre as pernas do cabo, onde esses rompimentos podem indicar que o desgaste entre as pernas está causando danos aos arames internos. A norma considera que a ocorrência de dois ou mais rompimentos em um passo de cabo, equivalente a um comprimento aproximado de 6d, é suficiente para justificar a substituição do cabo, devido ao aumento do risco de uma falha repentina e completa do cabo.
Arames rompidos em terminações são uma condição em que dois ou mais arames rompem nas extremidades do cabo, especialmente nas terminais ou pontos de fixação. Essas áreas são particularmente vulneráveis devido à concentração de tensões e ao atrito intenso que ocorre nessas junções. A presença de múltiplos arames rompidos nas terminações indica que a integridade do cabo está comprometida e que ele pode não suportar cargas adequadas. A recomendação, portanto, é descartar o cabo para evitar riscos associados a uma possível ruptura completa, especialmente em operações que envolvem levantamento de cargas pesadas e movimentação contínua.